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Educação para o desenvolvimento do território
A partir do ano de 2003, a equipe
de especialistas da Ong - FORMAÇÃO, atendeu
ao convite do escritório do Unicef, na cidade de
São Luís, para realizar uma pesquisa em todo
o Estado do Maranhão, sobre a situação
dos jovens e de sua escolarização em nível
de ensino médio, bem como levantar os dados sobre
a sua formação profissional.
Essa atividade de reconhecimento,
diagnóstico e balanço avaliativo da situação
da juventude no estado do Maranhão, permitiu que
se identificasse de forma mais profunda as expectativas
dos jovens que habitam os municípios menos desenvolvidos
do estado, localizados na região da baixada - campos
e lagos maranhenses. Pôde se verificar a contradição
entre a beleza das paisagens desse território e os
cenários de precariedade produzidos pela ausência
de iniciativa dos dirigentes, em nível do governo
federal e do estado do Maranhão, bem como da maioria
das prefeituras municipais, produzindo um sentimento de
descrença dos jovens em relação às
oportunidades de escolarização e qualificação
profissional, o que promove entre eles um certo grau de
ceticismo, no que diz respeito à sua condição
de sujeitos de direitos.
1.1. Formação profissional
em nível técnico – experiência
dos Centros de Ensino Médio e Educação
Profissional – CEMP´s
A partir da análise dos dados
e informações relevantes desse quadro crítico
da situação da juventude, o Unicef, com recursos
do Programa Criança Esperança, decidiu financiar
uma experiência de construção coletiva
de um Projeto Educativo inovador em uma escola de ensino
médio, que foi construída, equipada e mantida
pela Prefeitura da cidade de São Bento, durante o
ano de 2004, e que se manteve funcionando nos anos seguintes,
mesmo tendo se modificado o quadro de dirigentes do município.
Esse dado revela, de forma nítida, o significado
social dessa escola para os dirigentes municipais e para
os habitantes da cidade de São Bento, dado que foi
mantido o seu funcionamento.
Essa experiência foi coordenada
pela equipe de especialistas do Formação,
contando com o acompanhamento permanente do Unicef, que
manteve, sistematicamente, uma oficial de seu quadro, para
participar das atividades de planejamento, realização
e avaliação das atividades político-pedagógicas,
durante os últimos três anos.
A partir da concepção
de Projeto Educativo que se realiza em vários níveis
de construção articulada, adotou-se uma metodologia
de trabalho pedagógico, incluindo a direção,
os professores e os alunos, inclusive com a organização
do grêmio estudantil, para criar um diálogo
intergeracional sistemático e dinâmico, no
ambiente da escola e da comunidade, onde o Centro de Ensino
Médio e Profissional (CEMP) Newton Bello Barros Filho,
em pouco tempo de funcionamento, conseguiu destacar-se como
uma instituição de referência para a
sociedade local.
O Projeto Educativo do CEMP foi sendo
construído, de modo a contemplar o desdobramento
do próprio desenho curricular inovador, que se elaborou
como uma resposta aos anseios dos jovens, em relação
à educação e trabalho na região,
tal como apontavam os dados do diagnóstico.
Com a perspectiva de que é
necessário potencializar a educação
dos jovens quando, afinal, depois de um longo processo seletivo,
eles alcançam o nível do ensino médio,
adotou-se um princípio teórico-metodológico
que expande as possibilidades de formação
mais ampla e mais consistente da juventude, mediante a realização
de uma prática de trabalho pedagógico centrado
no princípio da indissociabilidade do ensino, da
pesquisa e da extensão.
Esse princípio, adotado para
o nível do ensino superior, foi antecipado para a
organização do currículo e das situações
educativas de caráter teórico-prático
desenvolvidas no cotidiano da escola, de tal modo que os
jovens possam se reconhecer como sujeitos de um processo
de formação, em que se relacionam consigo
mesmo, com seus pares, com suas famílias e com a
sua cidade. Além de se reconhecerem como sujeitos
de direito, os jovens começam a assumir seu papel
de liderança ativa, que atua de forma coordenada
e coletiva, respeitando princípios éticos
e educativos, para se tornarem cidadãos, também
responsáveis pelo desenvolvimento de sua cidade e
da região.
Para que sejam alcançados esses
objetivos mais comprometidos com a relação
entre a escola e a comunidade, os professores são,
permanentemente, estimulados a fazerem um processo de re-educação,
incorporando novas perspectivas e novas práticas
de trabalho político-pedagógico, com o sentido
mais amplo de construção de uma comunidade
educativa.
O fato de se adotar uma metodologia
de trabalho integrado, interativo, crítico, e, particularmente,
propositivo, cria oportunidade de realização
de uma dinâmica intensiva de reflexão e prática
de expansão das articulações possíveis,
para que uma ação cooperativa entre as organizações
juvenis e o poder público local favoreça a
análise da realidade e o debate sobre as políticas
públicas destinadas a todos os cidadãos e,
especialmente, aos jovens.
Com esse objetivo, a Ong- Formação
desenvolveu uma articulação com um número
significativo de parceiros, que no âmbito do CIP Jovem
Cidadão puderam apoiar laboratórios, unidades
de educação e produção, projetos
incubados, seminários, viagens de intercâmbios,
estágios, bibliotecas e atividades culturais, esportivas
e científicas.
Os estudantes dos CEMPs participam,
com o apoio do CIP- Jovem Cidadão, de inúmero
eventos promovidos para o fortalecimento das organizações
juvenis locais e dos Fóruns da Juventude.
A pesquisa realizada sobre o Ensino
Médio e a Educação Profissional no
Maranhão (2003), projeto desenvolvido mediante ação
cooperativa do Formação com o Unicef, mapeou
todo o cenário desse nível e modalidade de
ensino, nesse Estado. Esse mapeamento foi ampliado com entrevistas
realizadas com os adolescentes e jovens, que falaram sobre
como vêem o ensino médio e que revelaram quais
eram suas expectativas, em relação à
sua profissionalização e ao desenvolvimento
de suas cidades. Também foi investigado o perfil
sócio-econômico das regiões maranhenses.
O cenário do ensino médio
e do potencial produtivo, combinado com a demanda dos jovens,
a legislação brasileira para a educação
básica e o conhecimento sobre educação
acumulado pela Ong-Formação geraram as propostas
dos Centros de Ensino Médio e Educação
Profissional, segundo projeto realizado na parceria Formação-Unicef
(2004).
O primeiro CEMP, o de São Bento,
foi implantado a partir de uma demanda da Prefeitura Municipal.
Aceitou-se elaborar a proposta dessa escola (2004), a partir
do que se tinha pesquisado (2003), inclusive com os adolescentes
e jovens daquela cidade. O prédio construído
ficou muito bonito, com auditório e espaços
para biblioteca e laboratório de informática
e havia a intenção de que a proposta curricular
e o projeto educativo gerassem um Centro de Referência
para a região e garantissem a educação
desejada pelos jovens.
Apesar das dificuldades enfrentadas
em decorrência da mudança de governo, ainda
no primeiro ano do funcionamento do Centro, ele tornou-se
uma das principais referências na região, mesmo
ainda estando em fase de consolidação. Durante
o primeiro ano da experiência (2004), teve como base
o desenho do currículo construído pela equipe
do Formação, que estabeleceu um processo de
interação com os jovens, mediante a análise
dos seus depoimentos na pesquisa sobre o ensino médio,
e com os professores, mediante o planejamento e avaliação
mensal do cotidiano do trabalho pedagógico.
A partir dessa referência, o
Portal da Educação realizou uma série
de reuniões para discussão sobre o processo
de implantação dos Cemps nos demais municípios
do território.
Em 2005, a Secretaria de Educação
de Palmeirândia implantou o segundo Cemp da região
e em 2006, as Secretarias de Educação dos
municípios de Arari, Matinha, Olinda Nova, São
João Batista e São Vicente Ferrer deram início
à implantação dos Centros de Ensino.
O que possibilitou essa expansão
foi o reconhecimento da relevância social da política
pública municipal focada na demanda dos jovens, que
necessitam dar continuidade à sua escolarização.
Essa iniciativa possibilita o fortalecimento das políticas
gestadas no âmbito municipal, o que raramente acontece,
dado que o município, embora seja um ente da federação
autônomo, de modo geral, apenas executa as políticas
definidas no âmbito do governo estadual e do governo
federal.